TNSJ torna-se o palco do nonsense de Alice no País das Maravilhas
Maria João Luís e Ricardo Neves-Neves propõem uma representação de Alice por um “coro heterogéneo” que assume diferentes formas e ritmos.


2019.01.23

Depois de terem encenado Um Conto de Natal, de Charles Dickens, Maria João Luís e Ricardo Neves-Neves retomam a parceria. Desta feita, o projeto incidiu sobre Alice no País das Maravilhas, a obra infantil mais conhecida de Charles Lutwidge Dodgson – sob o pseudónimo de Lewis Carroll – e também uma das obras mais célebres do género do nonsense e do absurdo. Após a estreia em Lisboa, o espetáculo chega agora ao palco do Teatro Nacional São João (TNSJ) entre os dias 30 de janeiro e 10 de fevereiro.

Publicada em 1865, muitos consideram a obra como um retrato crítico da Inglaterra Vitoriana, já que a linguagem de libertação contraria de certa forma a rigidez social que imperava nesta época. A estória de Carroll – que foi adaptada por Ricardo Neves-Neves – apresenta uma menina chamada Alice que, atraída pela sua curiosidade, cai numa toca de coelho e é transportada para um lugar fantástico com criaturas peculiares, como o Chapeleiro Louco, a Rainha de Copas ou o Gato de Cheshire. Por estar muito associada ao mundo dos sonhos e ter várias referências matemáticas e linguísticas como os enigmas, a obra acabou por ganhar muita popularidade junto das crianças e dos adultos.

Alice e o lugar do questionamento
Ao longo da sua travessia pela wonderland, Alice pergunta constantemente “Quem sou eu?”. Por isso mesmo, para potenciar este questionamento e maravilhamento, Maria João Luís e Ricardo Neves-Neves propõem uma representação da personagem por “um coro heterogéneo que, através da palavra falada e cantada, assume diferentes formas, ritmos e estados de espírito”. Ao longo do espetáculo, esta “massa” de atores/cantores transforma o espaço do palco num lugar fantástico onde é possível ser-se livre.

Alice no País das Maravilhas é uma produção Teatro da Terra e Teatro do Elétrico, em coprodução com o TNDMII, o Cine-Teatro Louletano e o TNSJ. Do elenco fazem parte mais de duas dezenas de atores, com destaque para a jovem Beatriz Frazão e onde se inclui a encenadora Maria João Luís – que interpretam Alice e o Chapeleiro Louco, respetivamente. O espetáculo pode ser visto à quarta-feira e sábado, às 19h00; na quinta e sexta-feira, às 21h00; e no domingo, às 16h00. Excecionalmente, a récita de 30 de janeiro acontece às 21h00. No dia 7 de fevereiro está agendada uma sessão para escolas, às 15h00. O preço dos bilhetes varia entre os 7,50 e os 16 euros.

Atividades paralelas que “prolongam” o mundo do absurdo
No dia 1 de fevereiro está prevista uma conversa pós-espetáculo entre o público e a equipa artística de Alice no País das Maravilhas. Já no dia seguinte, 2 de fevereiro, o TNSJ organiza uma oficina de babysitting onde os pais (ou educadores) podem deixar as crianças enquanto assistem à peça. A atividade – que dá “carta-branca” para os mais pequenos fazerem aquilo que mais lhes apetece – é para maiores de quatro anos e o valor da inscrição é de 2,50 euros.