TNSJ estreia produção própria no Dia Mundial do Teatro
Próximo ano reserva muitas novidades, com 29 espetáculos, num total de 12 estreias, em cena nos três espaços geridos pelo TNSJ.


2018.12.17

29 espetáculos, incluindo 12 estreias e 16 coproduções. São estes os números que sintetizam a programação entre janeiro e julho de 2019 dos espaços geridos pelo Teatro Nacional São João (TNSJ) – que inclui ainda o Teatro Carlos Alberto (TeCA) e Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV). Nestes sete meses, a instituição recebe criações de companhias portuguesas, bem como produções internacionais, destacando-se a estreia nacional de Mnémosyne. Dividido numa exposição (5 a 25 de janeiro) e numa performance (17 a 20 de janeiro), o projeto de Josef Nadj foi apresentado pela primeira vez na Biennale de la Danse de Lyon 2018 e chega no início do próximo ano ao Mosteiro de São Bento da Vitória.

Mas janeiro faz-se também da reposição de Otelo – que, no início da temporada 2018/2019 foi um sucesso de bilheteira –, entre os dias 5 e 20 de janeiro, no TNSJ. À encenação de Nuno Carinhas que, de resto, é uma produção própria da instituição, juntam-se as peças de diversos criadores como Jorge Louraço, Catarina Lacerda, Ricardo Neves-Neves, Ricardo Alves, Igor Gandra, André Braga e Cláudia Figueiredo, Federico León ou Tiago Rodrigues para mencionar alguns. Os espaços do TNSJ vão ainda ser palco de três festivais – BoCA, FITEI e Festival Dias da Dança – e atividades paralelas, como é o caso das Leituras no Mosteiro e de um concerto com os Les Saint Armand.

BREU: A partir dos bastidores do circo criam-se metáforas
Em fevereiro, o TeCA recebe a estreia de BREU, uma criação do coletivo Musgo que olha para o universo do menos amado dos espetáculos de palco – o circo – para falar sobre a precaridade dos artistas, o desdobramento das suas funções, a estigmatização com que são vistos e a profissionalização que lhes é negada. A peça de Joana Moraes parte de conversas com estas trupes multidisciplinares – documentadas numa exposição fotográfica de Paulo Pimenta –, fazendo a ligação ao cinema e à fotografia, numa abordagem tão humanista como humorística. BREU – uma coprodução com o TNSJ – estará em cena de 14 a 23 de fevereiro.

Dia Mundial do Teatro: Obra de Martin Crimp produzida pelo TNSJ
Nuno Carinhas e Fernando Mora Ramos retomam a sua parceria – depois da encenação conjunta de O Fim das Possibilidades (2015), de Sarrazac – para tomarem em mãos um desafio prodigioso. O Resto Já Devem Conhecer do Cinema parte da obra de Martin Crimp – um dos grandes dramaturgos contemporâneos – que regressa às páginas de As Fenícias, de Eurípides, projetando-as contra o pano de fundo de uma pergunta insidiosa: “Sim, como podem os mortos viver agora?”. O espetáculo, que se estreia no Dia Mundial do Teatro (27 de março), olha com sarcasmo e humor para a Europa e para a barbárie do nosso quotidiano. A peça é uma produção própria do TNSJ e pode ser vista até 14 de abril.

Pathos é um espetáculo que anseia pelo seu final
Ainda em abril, chega ao TeCA a mais recente criação de Cátia Pinheiro e José Nunes, numa coprodução Estrutura e TNSJ. Pathos é uma tragédia, um espetáculo-ruína que anseia desesperadamente pelo seu anunciado fim enquanto olha para o mundo em construção que atualmente se faz do crescimento de fundamentalismos e intolerância. Mas, dizem os encenadores, Pathos é, igualmente, “um salto de fé”. O espetáculo estreia-se no dia 10 e estará em cena até dia 13.

BoCA traz ao Porto a estreia mundial de Cattivo
A convite da BoCA – Biennial of Contemporary Arts, um conjunto de performers portugueses e estrangeiros reúne-se para uma estreia mundial no Mosteiro de São Bento da Vitória. Entre 10 e 18 de abril, Cattivo junta Marlene Monteiro Freitas, Yannick Fouassier, Tiago Cerqueira, Miguel Figueira e André Calado numa instalação para estantes de partituras e outros materiais. No espetáculo – uma coprodução São Luiz Teatro Municipal, Wiener Festwochen e TNSJ – explora-se as propriedades expressivas das estantes que têm a capacidade de encarnar estados emocionais e tomar decisões.

Damas da Noite desafia as regras no mundo do transformismo
Para explicar Damas da Noite, o encenador Elmano Sancho conta o primeiro episódio da sua vida: os seus pais esperavam uma menina de nome Cleópatra; afinal, nasceu um menino. No espetáculo, para dar vida a Cleópatra, o autor parte ao encontro do universo do transformismo para construir uma relação entre parceiros de jogos improváveis e explorar a presença ou ausência de fronteiras entre realidade e ficção, homem e mulher, tragédia e comédia. Damas da Noite – flores que abrem de noite e exalam um cheiro inebriante – estreia-se no TeCA e estará em cena entre 9 e 12 de maio.

Manuel António Pina em destaque na programação do TNSJ
A escrita de Manuel António Pina faz adultos e crianças viajarem “pelas esquinas, pracetas e recantos da linguagem”. Por isso mesmo, o Coro Lira convidou dez compositores contemporâneos a musicarem dez poemas do escritor, fazendo-o para um coro de vozes infantis e juvenis. Depois disso, o Teatro do Frio entrou na equação para desenvolver um espetáculo entre o concerto, a apresentação coral e o teatro físico. O resultado pode ser visto em Coisas Que Não Há Que Há, que estará no palco do TeCA entre 31 de maio e 1 de junho.

Em Quimeras, os intérpretes transformam-se em obras de arte
Quimeras parte de Cristo Velato, escultura em mármore de Giuseppe Sanmartino (1753), exposta no Museo Cappella di San Severo, em Nápoles. No espetáculo, que se estreia a 7 de junho no Mosteiro de São Bento da Vitória, os intérpretes – imóveis ou não, em leitos ou nichos e eventualmente despidos – podem ser ecrãs de projeção de imagens de arte (escultura e pintura) e/ou estar rodeados de objetos icónicos, em situações que remetem o espectador para o período do Renascentismo ou Barroco. Quimeras é uma criação de Luís Castro e Vel Z (Karnart) em coprodução com o TNSJ e poderá ser vista até dia 9 de junho.

O retrato de uma das mais fascinantes figuras da literatura mundial
Depois de Hotel Lousiana Quarto 58 (2016), João Samões regressa ao conjunto de retratos que tem dedicado à memória do espírito livre e libertário das mais fascinantes figuras da história da literatura mundial. Desta feita, o foco é a vida e obra do francês Louis-Ferdinand Céline que, para além de escritor, foi médico. O Poeta Acorrentado à Mesa é uma coprodução Debataberto – Associação Cultural e Artística com o TNSJ e é uma estreia absoluta. Poderá ser visto entre 26 e 30 de junho no TeCA.

A luz e o som fundem-se com a música e a coreografia
O mês de julho abre com Lux-Lucis, o mais recente espetáculo dos Drumming – Grupo de Percussão, com direção artística de Miquel Bernat. Entre os dias 4 e 6, quatro intérpretes vão olhar para o fenómeno físico da luz e da sua relevância na sociedade atual. Fazendo a fusão com a música e a coreografia, o espetáculo pretende gerar uma sinergia contagiante que iluminará o entendimento do fenómeno musical acústico e do mundo. Lux-Lucis estreia-se no TNSJ, em coprodução com a instituição.

Territórios femininos e cruéis fazem o “país” de Bonecas
Bonecas, de Ana Luena, insere-se no programa da Malvada Associação Artística, onde se trabalham as questões da identidade e processos de desvinculação ligados à ideia de território, explorando técnicas de retrato e de role play. O espetáculo constrói-se a partir de vários inputs: um conto inédito de Afonso Cruz, que fará parte do seu romance a ser lançado em 2019; a obra cruel e bela de Paula Rego; a experiência partilhada com um grupo de raparigas de um Centro de Acolhimento Temporário e um grupo de mulheres da Casa Abrigo. A nova criação estreia-se no dia 11 de julho no TeCA, ficando em cena até 21 do mesmo mês.

Ensemble “encerra” a temporada 2018/2019 do TNSJ
Entre 18 e 28 de julho, o Teatro Nacional São João recebe a estreia de Wild Spring, a partir de Arnold Wesker, numa tradução de Ana Luísa Amaral. Depois de Cartas de Amor em Papel Azul e Quando Deus Quis um Filho, o Ensemble regressa à obra do dramaturgo inglês, numa encenação de Jorge Pinto. O espetáculo conta a história de Gertrude, uma atriz com uma carreira plena de sucessos, mas pouco confiante no seu próprio talento, explorando-se a noção de acting como uma metáfora para as personagens ou falsas imagens que, por vezes, temos de nós mesmos. Wild Spring é uma coprodução entre Ensemble – Sociedade de Actores, Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão e TNSJ.

Um Teatro Para Todos
Durante os próximos sete meses, o Teatro Nacional São João irá continuar a sua missão de serviço público nomeadamente com o Centro Educativo – que, no início da temporada 2018/2019 foi reforçado – e com as sessões em Língua Gestual Portuguesa e com Audiodescrição. A instituição ainda oferece a possibilidade do público se inscrever no Cartão Amigo de forma gratuita para poder usufruir de inúmeras vantagens. As visitas guiadas ao Teatro Nacional São João e Mosteiro de São Bento da Vitória mantêm-se nos mesmos horários e a Poetria continuará a ocupar o foyer do TNSJ em dias de espetáculo.