Lagos renova Frente Ribeirinha no âmbito do Programa POLIS

A cidade de Lagos está a iniciar um processo de renovação urbana que visa a reabilitação da Frente Ribeirinha e a criação de dois parques de estacionamento subterrâneos.



2008.09.18

A cidade de Lagos está a iniciar um processo de renovação urbana que visa a reabilitação da Frente Ribeirinha e a criação de cerca de 900 lugares de estacionamento (876), através de dois novos parques subterrâneos. O anúncio foi feito pelo presidente da autarquia, Júlio Barroso, num encontro no Centro Cultural de Lagos. Os projectos são independentes, mas decorrem sensivelmente ao mesmo tempo. O objectivo é que a conclusão dos trabalhos ocorra no final do próximo ano. A renovação da Frente Ribeirinha surge no âmbito do Programa POLIS e está orçada em cerca de 2,2 milhões de euros. Já os dois novos parques – desenvolvidos no âmbito de uma Parceira Público-Privada – implicam um investimento total de 15,7 milhões de euros.

A reabilitação da Frente Ribeirinha é o projecto que mais impacto terá na cidade, reflectindo o maior investimento do género alguma vez realizado em Lagos. Projectada pelo arquitecto António Barbosa, do gabinete de arquitectura A400, implica uma área de intervenção superior a 22 mil metros quadrados. Está delimitada a Nascente pelo passeio público da Avenida dos Descobrimentos e a Avenida das Comunidades Portuguesas, a Sul pelo Forte da Ponta da Bandeira, a Poente pelas muralhas do centro histórico e a Norte pela Rua Portas de Portugal.

Os grandes objectivos passam por revalorizar os marcos históricos relatados nos tecidos urbanos e relacionar a paisagem marítima envolvente com a malha urbana. A intervenção visa ainda diversificar a oferta das novas tendências quotidianas, atenuando os desequilíbrios provocados pelo turismo sazonal e fortalecendo a identidade da Frente Ribeirinha, como centro agregador das populações locais e sazonais.

Por tudo isto, são vários os subnúcleos do projecto alvo de intervenções específicas. Desde logo, o Jardim da Constituição. Está prevista a substituição do actual sistema de canteiros, por um relvado contínuo, opção que preservará as espécies arbóreas existentes. Um pouco mais à frente, e antes da Praça do Infante, será criado um novo espaço, o Jardim de Água, área pedonal de recriação do ambiente marítimo. Já a Praça do Pelourinho substituirá a actual Praça do Infante, sendo rearborizada e recebendo novo pavimento e mobiliário urbano.

Mas as transformações da frente ribeirinha não terminam aqui. No até agora parque de estacionamento de superfície nascerá a Esplanada do Infante, uma espaço de lazer, com bares, restaurantes e um posto de turismo, que marcará definitivamente a frente marítima da cidade. Situada em cima do novo parque subterrâneo, a Esplanada do Infante será o novo rosto de Lagos, totalmente em sintonia com os novos ritmos sociais da cidade.

900 novos lugares de estacionamento no subsolo

Paralelamente à intervenção da Frente Ribeirinha, a autarquia de Lagos tem adjudicadas e em fase de arranque duas obras de vital importância para acompanhar o natural crescimento do município e os fluxos sazonais, de forte incidência turística. Resultado de uma Parceria Público-Privada – entre a empresa municipal Futurlagos – Empresa Municipal para o Desenvolvimento, EM  e um consórcio privado constituído entre as empresas FDO Construções, Ensul e Irmãos Cavaco – as duas obras visam a construção de dois parques subterrâneos, um na Frente Ribeirinha e outro no Anel Verde/Parque da Cidade.

O futuro parque da Frente Ribeirinha está integrado no objectivo estratégico de reformulação do sistema viário da Avenida dos Descobrimentos na qual se privilegiará o uso pedonal, sem inviabilizar totalmente o acesso automóvel. Pretende-se, desta forma, a deslocalização para o subsolo da totalidade do actual estacionamento automóvel de superfície. Com uma área bruta de construção próxima dos 12 800 metros quadrados, este edifício subterrâneo comporta 480 lugares de aparcamento automóvel, desenvolvendo-se em dois pisos.

O parque do Anel Verde/Parque da Cidade tem capacidade total para 396 viaturas, sendo constituído por três pisos. Ao nível da cobertura/praça, um jogo de espelhos de água, vegetação e cascatas marca de forma significativa a entrada do Parque da Cidade, definindo este espaço como uma zona lazer ideal para a realização de eventos. A pala/espelho de água, e a cascata que dela surge, definem uma zona de sombreamento e estada pública, integrando na sua estrutura o núcleo de escadas sul do parque de estacionamento.

Em termos topográficos, são libertadas no edifício duas frentes estratégicas:
a Nascente e a Norte. A primeira, com entrada automóvel e acesso pedonal a partir da Estrada da Porta da Piedade, configura um desnível que permite que o acesso ao estacionamento seja feito praticamente de nível; a segunda, de entrada de público, possibilita o prolongamento visual, iluminação e ventilação natural do estacionamento.

Para Julio Barroso, presidente da Câmara Municipal de Lagos, os três projectos “representam uma nova etapa da cidade”, uma vez que farão de Lagos “uma cidade mais moderna e de fácil acesso, sem perder os traços históricos que a caracterizam”. E concluiu: “A renovação de Lagos facilitará o dia-a-dia dos seus habitantes e dará a quem a visita novas condições de conforto e comodidade”.