Josef Nadj está de volta a Portugal a convite do Teatro Nacional São João
Mnémosyne é um projeto díptico que se apresenta pela primeira vez em território nacional, após a estreia na Biennale de la Danse de Lyon 2018.


2018.12.27

Depois dos quadros vivos de Les Corbeaux (2011) e do teatro artesanal e poético de ATEM le souffle (2012), Josef Nadj está de regresso a Portugal e aos espaços do Teatro Nacional São João (TNSJ). No arranque do novo ano, o coreógrafo e artista plástico de origem húngara apresenta, em estreia nacional, Mnémosyne – uma exposição fotográfica e uma performance – onde se convoca a “arte total” numa fusão de disciplinas artísticas. Ambos os momentos decorrem no Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV), sendo que a exposição vai estar patente entre 5 e 25 de janeiro e o espetáculo (para maiores de 14 anos) pode ser visto a partir de 17 até dia 20 do mesmo mês.

Mnémosyne questiona as nossas memórias e heranças
Mnémosyne poderá traduzir-se como a “memória de um mundo”. Ao longo do seu vasto percurso, Josef Nadj nunca deixou de fotografar e, aproveitando-se das próprias memórias de infância e juventude, concebeu um projeto que coloca as rãs como modelos simbólicos do seu desejo de hibridização. E foi a visão destes animais dessecados e esmagados durante um passeio de bicicleta na sua terra natal que deu origem a 100 fotografias – cada uma a contar uma história. A exposição de Josef Nadj tem entrada gratuita e pode ser vista de segunda-feira a domingo, entre as 15h00 e as 18h00.

Uma performance breve, íntima e intensa
A constelação de imagens de Mnémosyne conduz o espectador a uma caixa preta – microcosmos do mundo –, tanto camera obscura como exíguo palco, onde Nadj se entrega a uma performance breve, íntima e densa. Numa caixa preta onde se encena a si mesmo, o coreógrafo cruza linguagens da representação e dança a uma curta distância do público. Durante 20 minutos, “cada movimento, cada ação, cada segundo é um eco da sua [Josef Nadj] jornada, pessoal e artística, transfigurada por um desenho cénico na veia de Beckett”, lê-se no programa do projeto.

Marylène Malbert (jornalista e crítica de arte moderna e contemporânea), após uma entrevista com Josef Nadj, diz-nos que Mnémosyne é um “tributo pessoal e transversal a Atlas – o projeto inacabado do historiador de arte alemão Aby Warburg” e “uma autêntica obra de arte total: ao mesmo tempo instalação, performance e exposição. Dela cada espectador retém uma imagem, última, uma impressão que questiona o nosso olhar e a nossa memória: o que foi que vimos?”. O preço dos bilhetes é de 10 euros, sendo que o espetáculo está em cena na quinta-feira, às 19h00 e às 21h00; na sexta-feira, às 19h00, às 21h00 e às 23h00; no sábado, às 17h00, às 19h00, às 21h00 e às 23h00; e no domingo, às 16h00 e às 18h00.