Cais da ribeira do séc. XVII descoberto em Lagos

Foi encontrado em Lagos o cais da ribeira. A estrutura tem identificados pelo menos dois momentos de utilização: um século XVII e um outro que esteve em funcionamento até aos anos 40 do século XX.



2009.03.03

No âmbito do processo de requalificação da Frente Ribeirinha, e enquadrado na intervenção arqueológica em curso, acaba de ser encontrado em Lagos o cais da ribeira. A estrutura tem identificados pelo menos dois momentos de utilização: um mais antigo, da época moderna (século XVII), e um outro que esteve em funcionamento até aos anos 40 do século XX. Inseridos numa área urbana de importante dimensão histórica, os trabalhos visam, para além de cumprir as imposições legais, preservar a memória e a identidade histórica da cidade.

Com elevadas expectativas desde o início, a intervenção arqueológica resultou na identificação de um conjunto de estruturas de cronologias e tipologias diversas, nomeadamente da época contemporânea e moderna. Os trabalhos reconheceram ainda a muralha existente entre o Palácio dos Governadores e a Messe Militar e as duas portas que davam acesso à cidade e que se encontravam ilustradas na planta elaborada em época moderna por Alexandre Massai (século XVII).

As intervenções arqueológicas contaram, inclusive, com a participação da população local, nomeadamente dos mais idosos, cuja memória do então existente é mais viva. Muitas pessoas levaram até ao local fotografias antigas da zona, que se afiguraram essenciais para a compreensão da área em questão. A recuperação deste espaço permitirá, assim, a valorização de vestígios que estavam até agora pouco dignificados ou mesmo invisíveis, por se encontrarem enterrados.

Relembre-se que a cidade de Lagos está num processo de renovação urbana que visa a requalificação da Frente Ribeirinha e a criação de cerca de 900 lugares de estacionamento, através de dois novos parques subterrâneos. A renovação da Frente Ribeirinha surge no âmbito do Programa POLIS e está orçada em cerca de 2,2 milhões de euros. Já os dois novos parques – Parque da Avenida/Frente Ribeirinha e Parque da Cidade/Porta da Praça de Armas –, desenvolvidos no âmbito de uma Parceira Público-Privada, implicam um investimento total de 15,7 milhões de euros.