ADDICT encara TDT como hipótese de ouro para a indústria audiovisual
Associação defende inclusão de oito canais na televisão digital terrestre até final de 2012. Estimular a produção independente de TV é o objectivo.


2012.03.19

A ADDICT – Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas defende que a implementação da Televisão Digital Terrestre (TDT) em Portugal deve ser encarada como uma oportunidade para impulsionar a indústria audiovisual nacional. A entidade revela-se preocupada com a limitação da oferta do serviço aos tradicionais quatro canais distribuídos em sinal aberto. Em todos os estados europeus, a introdução da TDT permitiu o acesso a mais canais gratuitos por parte das populações, num número que em alguns países ultrapassa as três dezenas. Este modelo revelou-se um forte estímulo para as indústrias de conteúdos locais.

O funcionamento da TDT num formato mais próximo dos actuais moldes europeus possibilitaria o acesso a conteúdos mais diversificados – nas áreas de cinema, infantil, documentário, produto nacional, etc. – à metade da população que não pode ou opta por não pagar por um serviço de televisão por assinatura. A par desta democratização, a introdução de mais canais abertos incrementaria o número de programas produzidos localmente e, por sua vez, a indústria de produção independente de televisão, gerando emprego e riqueza. A Alemanha é um dos exemplos onde a TV por assinatura tem uma baixa penetração devido à qualidade da oferta de conteúdos no TDT, que inclui 35 canais.

Oito canais na TDT até ao final de 2012
A associação defende a alteração urgente das regras da TDT, nomeadamente a implementação das medidas necessárias para que a oferta no Digital Terrestre possa chegar aos oito canais até ao final de 2012 e aos 14 no final de 2013. Em paralelo, devem ser definidas quotas de conteúdos nacionais nas grelhas desses canais e normas de contratação de produções independentes de ficção, documentário e comédia. Este tipo de produção é, na maioria dos mercados internacionais, o grande impulsionador de criatividade e inovação no sector, pela garantia de qualidade e pela dinamização das exportações de conteúdos.

O novo modelo contribuirá, acredita a ADDICT, para a inversão da crescente verticalização da actividade dos dois operadores privados de televisão em sinal aberto, que contam com uma reduzida produção independente externa nas suas grelhas. Por outro lado, os canais de cabo – por falta de imposições legais, ao contrário do que acontece noutros países – raramente produzem ou contratam produtoras e empresas locais, pelo que muitas das emissões do cabo são realizadas fora do país e algumas delas carecem de dobragem ou legendagem em português. Em suma, uma oferta forte de conteúdos nacionais dinamizaria o sector, sobretudo no que respeita às exportações de produtos e formatos televisivos nacionais.

A Addict é a Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas, reconhecida pelo Ministério da Economia como representante do Cluster de Indústrias Criativas, agregando um total de 106 associados. Tem como missão promover a existência de uma indústria sustentável nas áreas da cultura, criatividade e produção de conteúdos, defendendo os interesses das empresas e profissionais do sector. RTP, Ordem dos Arquitectos, Fundação Casa da Música, Ydreams, Fundação de Serralves, Porto Editora, jornal Público e as principais universidades ligadas ao ensino e formação para esta indústria são alguns dos seus associados.