A memória e a disrupção juntam-se em encontro do Teatro da Didascália
Entre 18 e 28 de maio, Joane (V.N. de Famalicão) acolhe espetáculos e iniciativas que se centram na “Reescrita da História” e no “Teatro Fora de Formato”.


2018.04.26


A programação de 2018 do Teatro da Didascália arranca no dia 18 de maio com o encontro “Territórios Dramáticos”. A segunda edição deste observatório anual centra-se em dois temas: “Reescrita da História” e “Teatro Fora de Formato”. O primeiro tem como ponto de partida projetos artísticos que se têm inspirado e ficcionado sobre o passado e questões relacionadas com a memória. Já o segundo tema explora obras disruptivas e provocadoras do ponto de vista estético e intelectual. O evento decorre no novo espaço artístico do Teatro da Didascália, o FAUNA, em Joane (Vila Nova de Famalicão), e no Centro Cultural da Juventude de Joane (CCJJ), com espetáculos e iniciativas até 28 de maio.

As memórias dos outros no Museu do Senhor Melo
O encontro abre com a peça “Museu da Existência” da Amarelo Silvestre. O espetáculo parte da história do Senhor Melo e da sua vontade de construir um museu com os objetos que as pessoas fazem existir, desde o pão torrado que alimentou um amor clandestino até à aliança da revolução que acabou com a guerra. A peça está fortemente ligada à comunidade – contando com objetos de habitantes de Joane – e pode ser vista nos dias 18 e 19 de maio, em dois horários: às 18h00 e às 21h30.

Duas mãos irrequietas e duas mãos sábias
Já o CCJJ recebe, no dia 20 de maio, às 16h00, Filipe Caldeira. O criador apresenta um retrato-memória da infância escrito a quatro mãos: duas que não param quietas; outras duas que as acompanham e observam. Em “O cão que corre atrás de mim (e o avô Elísio à janela)” há espaço para o medo, o risco, a rua, um cão que ladra (e talvez morda) e um avô à janela capaz de nos proteger pelo canto do olho. Este é um dos espetáculos dedicado às famílias.

A leveza do ar e a beleza das coisas simples
No dia 25 de maio, Mafalda Saloio procura responder à pergunta: “O que fazemos quando temos taquicardia, quando estamos cabisbaixos, quando o lufa-lufa do quotidiano nos tira o ar?”. Na peça “Brisa ou Tufão”, a criadora apresenta uma obra que nos ensina a conviver com a força emocional do invisível – a leveza do ar – e a aceitar a beleza das coisas simples da vida. Para ver às 21h30, no FAUNA.

O que nos dizem os antigos colonos portugueses?
“Portugal não é um país pequeno”, do Hotel Europa, sobe ao palco a 26 de maio, às 21h30, no CCJJ. Com direção de André Amálio, o espetáculo é uma reflexão sobre a ditadura e a presença portuguesa em África, recorrendo às memórias e testemunhos reais dos antigos colonos portugueses.

Um laboratório visual e sonoro
Para encerrar a programação do “Territórios Dramáticos”, poder-se-á assistir, nos últimos dois dias de encontro (27 e 28 de maio), às 16h00, no FAUNA, a “Manipula#Som”, da Radar 360º. O projeto – que é simultaneamente um processo de investigação criativa e pedagógica – propõe um espetáculo visual, cujo epicentro está na ligação entre o mundo físico e o mundo virtual.

A segunda edição de “Territórios Dramáticos” tem como objetivo pensar as práticas de criação teatral sedimentadas em Portugal, privilegiando a pluralidade estética e artística. O preço dos bilhetes, por espetáculo, varia entre os 3 e 4 euros (com desconto para estudantes e maiores de 65 anos). As reservas podem ser feitas através do e-mail rp@teatrodadidascalia.com ou do número 91 276 17 40. Para além das performances, o evento conta com diversas atividades paralelas como o “Cear e Falar” – ciclo de conversas pós-espetáculo acompanhadas de vinho verde e iguarias típicas da região ou dos territórios evocados pelos espetáculos das companhias convidadas – e oficinas de teatro documental e expressão dramática. A inscrição para estas iniciativas deverá feita através do e-mail patricia@teatrodadidascalia.com ou do número 91 649 16 26.